O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) anunciou que encaminhou uma proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) à plataforma Discord no Brasil. O órgão aguarda uma resposta da empresa sobre essa proposta.
A medida faz parte de uma investigação referente à divulgação de conteúdos relacionados a violência sexual, maus-tratos a animais e incentivo à automutilação de crianças e adolescentes, e está sendo conduzida sob sigilo.
De acordo com o MPSP, este passo busca proteger direitos coletivos e aprimorar os mecanismos para lidar com o uso de plataformas digitais em atividades ilícitas, especialmente quando crianças, adolescentes, mulheres e animais estão em risco.
A apuração teve início após a transmissão ao vivo de um suicídio realizado por uma adolescente de 13 anos, chamada Lívia, no dia 22 de julho. A live durou cerca de 45 minutos e, antes do ato, ela teria sido coagida por criminosos a torturar e matar um gato, o que não ocorreu.
Esse evento trágico levou à criação da Operação Lívia, que é coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, em parceria com o Ministério da Justiça. A operação resultou na prisão de cinco menores, com idades entre 13 e 18 anos, em diferentes estados do Brasil.
Propostas para segurança no Discord
A empresa Discord apresentou à Advocacia-Geral da União (AGU) um plano que visa implementar medidas para aumentar a segurança dos usuários, com foco em crianças e adolescentes. Essa proposta foi feita após uma reunião com servidores da AGU, do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), onde discutiram as deficiências na verificação da idade dos usuários e a proteção de menores de 18 anos no aplicativo.
Impacto na comunidade gamer
A situação ressalta a responsabilidade das plataformas digitais, como o Discord, em garantir um ambiente seguro para os jovens usuários. A ação do Ministério Público enfatiza a necessidade de fortalecer as políticas de segurança e monitoramento nas interações online, algo essencial para proteger a comunidade gamer, que inclui muitos adolescentes e crianças.
Com as recentes tragédias que ligam o uso inadequado de plataformas digitais a comportamentos de risco, fica claro que a segurança online deve ser uma prioridade não apenas para as empresas, mas também para os usuários, que devem estar cientes das possíveis ameaças. O desfecho dessa proposta pode definir novos padrões de responsabilidade e controle em plataformas frequentes entre jogadores.
Essa iniciativa do MPSP e as propostas do Discord ilustram a crescente preocupação com a segurança na era digital e a importância de um espaço online seguro e responsável para todos. O desdobramento desse caso promete gerar discussões importantes sobre como as plataformas podem balancear a liberdade de expressão e a segurança dos usuários.

