A discussão sobre por que grandes mundiais de e-sports ainda não chegaram ao Ceará ganha força, especialmente com a recente confirmação de que o circuito da **Intel Extreme Masters (IEM)** de **Counter-Strike 2** retornará ao Brasil em 2027. Isso reacendeu a esperança de que a capital cearense, Fortaleza, possa finalmente sediar um campeonato desse porte. A cidade conta com a infraestrutura necessária, como hotéis e arenas, além de um público apaixonado por games.
Desafios para trazer e-sports ao Ceará
O grande entrave para a realização de eventos de e-sports no Ceará não é a capacidade logística, mas sim a falta de investimento por parte das grandes empresas. Em uma conversa com Daniel Braga, presidente da Fundação **Sana**, que organiza o maior evento geek do Nordeste, ele destacou que, apesar de haver eventos locais que atraem um grande público, atrair recursos para o Nordeste ainda é um desafio.
Braga comentou: “O budget (orçamento) das empresas está muito concentrado no eixo São Paulo. Convencer as multinacionais a investir diretamente aqui ainda é uma batalha difícil”. Apesar de existirem marcas que têm se envolvido em projetos de responsabilidade social, o patrocínio direto focado em grandes eventos ainda é raro.
Potencial logístico e público engajado
O Ceará já demonstrou possuir mão de obra de qualidade, como evidenciado por uma ativação realizada em parceria com a **Riot Games**, na qual gerou um estande de padrão internacional para o **League of Legends** usando 100% da mão de obra local. Contudo, essa não é uma prática recorrente, mas sim pontual.
Do lado do governo, a expectativa é alta. **Rogério Nogueira Pinheiro**, Secretário de Esportes do Ceará, acredita que a capital tem toda a infraestrutura necessária para abrigar competições do tamanho da IEM. Ele enfatizou que Fortaleza foi escolhida como cidade-sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, o que comprova a capacidade do Estado para eventos de grande escala.
Oportunidades para o futuro
A vinda de um evento internacional de e-sports seria um divisor de águas para o Ceará. Além de trazer reconhecimento, ajudaria a consolidar equipes locais e a promover o turismo tecnológico na região. No entanto, para isso, as agências de publicidade precisam olhar mais atentamente para o Nordeste.
Braga finaliza: “Falta que as marcas disponibilizem ativações e experiências para esse público, pois temos um grande mercado consumidor. As estratégias de marketing precisam ser recalibradas para que os gamers do Ceará tenham acesso às mesmas experiências que os do eixo Rio-São Paulo”.
Em resumo, a chegada de grandes eventos de e-sports ao Ceará esbarra em questões financeiras e falta de investimento direto. Para que a realidade mude, será necessário um esforço conjunto das empresas, agências de marketing e do poder público, para garantir que o Ceará possa se firmar como um polo de e-sports no Brasil.

