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Desafios Jurídicos e Financeiros no Crescimento dos e-Sports no Brasil

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Desafios Jurídicos e Financeiros no Crescimento dos e-Sports no Brasil

O mercado de e-Sports se firmou como um dos maiores ecossistemas de entretenimento do mundo, com arenas lotadas, transmissões em massa e patrocínios que chegam a cifras milionárias. No entanto, por trás do glamour e da adrenalina, a questão dos direitos de imagem, nome e voz dos jogadores brasileiros ainda enfrenta um cenário nebuloso. Apesar das melhorias recentes na legislação esportiva no Brasil, práticas abusivas, disputas por direitos de transmissão e a pressão sobre jovens talentos continuam a representar desafios significativos para o crescimento da indústria de e-Sports.

Desafios da Lei Geral do Esporte nos e-Sports

Jogadores de e-Sports enfrentam desafios jurídicos
Jogadores de e-Sports enfrentam desafios jurídicos – Reprodução

A Lei Geral do Esporte (LGE) buscava modernizar e proteger os direitos dos atletas profissionais no Brasil. Contudo, sua aplicação nos e-Sports é limitada. Isso gera discussões complicadas entre advogados e organizações. A falta de uma equalização explícita leva as equipes a dependerem das normas tradicionais de emprego, buscando proteção jurídica essencial.

De acordo com especialistas, os ciberatletas de e-Sports não estão completamente cobertos pela proteção que a legislação oferece aos esportes tradicionais.

“Na minha visão, aproveitamos apenas parcialmente a legislação, dado que o atleta de esporte eletrônico não foi incluído na legislação atual”,

explica a advogada Layla Rodrigues, especialista na área.

Ela menciona que essa ausência faz com que a abordagem nos contratos foque mais na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e nas leis gerais do trabalho, ao invés dos benefícios trazidos pela LGE.

Quando surgem abusos, como jornadas exaustivas ou cobranças excessivas sobre criação de conteúdo, o caminho escolhido para resolver essas questões muitas vezes é a Justiça comum. “Quando uma relação de trabalho é identificada, o ideal é recorrer à Justiça do Trabalho para reconhecer o vínculo”,

completa Rodrigues.

Direito de Arena e as Transmissões de e-Sports

Em esportes tradicionais, o Direito de Arena assegura que parte dos valores obtidos com transmissão dos campeonatos seja repassada aos atletas. No entanto, essa lógica não se aplica aos e-Sports. Como os jogos são geridos por empresas privadas, como Riot Games e Valve, o controle econômico fica nas mãos dessas publishers, o que inviabiliza repasses automáticos aos jogadores ou equipes.

“Não há regulamentação nesse sentido entre as publishers e as redes que transmitem os jogos”,

aponta Layla Rodrigues. A operação dos campeonatos segue um modelo fechado, onde a publisher controla todos os aspectos econômicos. “Na prática, a maioria possui canais oficiais que transmitem as partidas, mas não há repasses ao jogador ou ao time.”

A exclusão dos competidores do texto da LGE torna a cobrança desses repasses bem mais complexa e, na realidade, difícil de acontecer.

Modelo PJ e Riscos para Menores de Idade nos e-Sports

Competições de e-Sports e modelo de contrato
Competições de e-Sports e modelo de contrato – Reprodução

Com o intuito de diminuir os altos encargos da folha de pagamento sob a CLT, muitas equipes de e-Sports optam por contratar seus jogadores como Pessoa Jurídica (PJ) ou por meio de contratos de direitos de imagem. Esse modelo é atraente para jogadores mais experientes, pois permite salários mais altos a curto prazo.

“É importante destacar que alguns jogadores preferem o modelo PJ, pois recebem valores maiores. O essencial é que todos na relação estejam de boa fé ao firmar o contrato”,

aponta a advogada.

A problemática se agrava quando esses contratos envolvem menores de idade. Nessa faixa etária, muitos e-Sports têm talentos que surgem cedo, por volta dos 14 a 16 anos. A aplicação do modelo PJ em adolescentes tem sido firmemente contestada na justiça.

“Houve um caso em que um menor firmou contrato como PJ, mas a justiça não aceitou dado a sua condição de menor,”

revela Rodrigues.

A advogada alerta as organizações de e-Sports sobre os riscos de estratégias contratuais que tentam disfarçar a subordinação de jovens jogadores, pois esses arranjos podem ser anulados judicialmente.

“Fugir da legislação pode ser perigoso. Se o jogador buscar a justiça, certamente prevalecerá, pois os contratos, mesmo que bem escritos, não podem ignorar o direito ao trabalho e o reconhecimento do vínculo trabalhista,”

completa.

A discussão sobre a proteção de jovens jogadores ganha força com a Lei Felca, que visa proibir o acesso de menores a jogos que envolvem apostas ou microtransações muito agressivas (como as loot boxes em diversos títulos de e-Sports). Isso levanta importantes questões sobre a responsabilidade legal e social das empresas quanto à proteção da saúde mental e financeira dos adolescentes no competitivo mundo digital.

Construção de Carreira no Futuro

Embora o desgaste físico e mental causado pela alta demanda de treinos e metas nos e-Sports seja evidente, muitos jogadores não veem a superexposição de sua imagem como algo totalmente negativo. Em uma carreira de pro-player, que geralmente é curta, a base de fãs e o capital social acumulados nas redes sociais podem ser um respaldo importante para o futuro profissional.

Segundo Layla Rodrigues, a questão central para os jogadores deve estar voltada ao futuro. “Como eles aproveitam essa exposição?”

Se bem gerida, essa visibilidade durante os anos de destaque pode beneficiar a carreira dos atletas a longo prazo. “A maioria dos jogadores se torna streamer ou caster (narrador/comentarista), e essa exposição pode ter bons frutos”,

analisa.

No dinâmico mundo dos e-Sports, onde a imagem e o patrocínio estão diretamente conectados, a divisão entre exploração contratual e investimento para uma carreira duradoura continua sendo um desafio constante.

Bruno Tavares

Sou fundador do GGames, que começou como um fórum de games criado por mim aos 15 anos e, com o tempo, se transformou também em um portal de notícias. Foi esse projeto que despertou minha paixão por tecnologia e me colocou no caminho do desenvolvimento web.