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Brasileiro monta PC gamer de R$ 1.300 que roda Cyberpunk 2077 no Ultra: qual é o segredo?

Com uma placa AMD originalmente utilizada na mineração de criptomoedas, Gabriel Oliveira mostra como conhecimento técnico, Linux e muita criatividade podem transformar hardware descartado em um computador gamer surpreendente.

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Brasileiro monta PC gamer de R$ 1.300 que roda Cyberpunk 2077 no Ultra: qual é o segredo?

O brasileiro tem um talento especial para fazer muito com pouco. E quando o assunto é tecnologia, algumas das melhores histórias surgem justamente de quem prefere experimentar, modificar e aproveitar equipamentos que outras pessoas provavelmente deixariam de lado.

Foi exatamente isso que chamou nossa atenção em uma publicação de Gabriel Oliveira, no grupo do Facebook Grupo para pessoas pobres com computadores ruins 5.0.

Enquanto muita gente investe milhares de reais em um computador gamer, Gabriel afirma ter montado uma máquina de aproximadamente R$ 1.300, capaz de executar jogos como Cyberpunk 2077 e Atomic Heart no Ultra, chegando perto dos 100 FPS.

E não estamos falando de uma configuração convencional. O coração dessa máquina é uma AMD BC-250, placa originalmente desenvolvida para mineração de criptomoedas.

Mas será que essa placa é realmente tão poderosa assim? Fomos investigar.

Uma placa de mineração que virou PC gamer

Em seu relato, Gabriel explica que o projeto começou com uma AMD BC-250, equipamento que combina processador e gráficos integrados em um único chip.

A curiosidade é que sua arquitetura tem parentesco direto com o hardware do PlayStation 5.

Originalmente, a BC-250 oferece seis núcleos de CPU Zen 2, gráficos RDNA 2 com 24 unidades computacionais e 16 GB de memória GDDR6 compartilhada.

Entretanto, Gabriel não ficou satisfeito com as limitações originais.

O brasileiro relata ter realizado modificações para habilitar 40 unidades computacionais (CUs), além de aplicar overclock no processador, chegando a 4,5 GHz, e na GPU, alcançando 2,4 GHz.

Para manter tudo funcionando, também foi necessário adaptar o sistema de alimentação e refrigeração, incluindo uma fonte Dell de servidor de 480 W e metal líquido.

Segundo ele, o maior desafio não foi simplesmente conseguir mais desempenho, mas tornar toda essa estrutura estável em uma plataforma que nunca foi projetada para funcionar como um computador doméstico.

Linux, drivers gráficos, ferramentas específicas e muita experimentação fizeram parte do processo.

Afinal, a AMD BC-250 realmente é boa para jogos?

SIM. A AMD BC-250 pode oferecer um desempenho impressionante pelo preço, especialmente quando modificada e configurada corretamente.

Isso não significa, entretanto, que qualquer pessoa conseguirá instalar a placa e imediatamente executar jogos pesados no Ultra a 100 FPS.

Testes publicados pelo Tom’s Hardware demonstraram que a BC-250 consegue executar jogos modernos, mesmo utilizando uma configuração relativamente simples.

Em um dos testes, Cyberpunk 2077 alcançou aproximadamente 42 FPS em 1080p com qualidade alta. Counter-Strike 2 chegou a cerca de 130 FPS em 1440p, enquanto GTA V Enhanced apresentou média próxima de 65 FPS em 1440p com configurações altas.

Esses números já são interessantes para um hardware que nasceu para uma finalidade completamente diferente.

Mas o verdadeiro potencial aparece quando a comunidade começa a modificar a placa.

Desbloquear as unidades gráficas faz diferença?

Faz, e muita.

A configuração padrão da BC-250 utiliza 24 unidades computacionais. Entretanto, determinados exemplares permitem habilitar até 40 CUs por meio de modificações específicas.

Em testes divulgados pelo Tom’s Hardware, o desbloqueio proporcionou melhorias significativas.

No Cyberpunk 2077, por exemplo, a média passou de 36 para 42 FPS, representando aproximadamente 17% de ganho. Outros jogos apresentaram aumentos próximos de 28%.

Existe, porém, uma ressalva importante: nem todas as placas conseguem trabalhar de maneira estável com todas as unidades desbloqueadas. Algumas podem possuir partes do chip defeituosas ou desabilitadas por questões de fabricação.

Portanto, o resultado depende tanto da qualidade do hardware quanto do conhecimento de quem realiza as modificações.

Brasileiro monta PC gamer de R$ 1.300 que roda Cyberpunk 2077 no Ultra: qual é o segredo?

E os 100 FPS no Cyberpunk 2077? É verdade?

É um resultado tecnicamente possível, mas precisamos entender como esses números são alcançados.

Na comunidade dedicada à BC-250 no Reddit, existem relatos de usuários superando os 100 FPS no Cyberpunk 2077 com configurações específicas.

Em setembro de 2026, um participante do r/BC250Gaming relatou ter aumentado o desempenho de 103 para 116 FPS após realizar ajustes relacionados ao processamento assíncrono.

Entretanto, o teste utilizava resolução 1080p, qualidade alta e geração de quadros (frame generation).

Essa última informação é essencial.

Tecnologias como FSR e geração de quadros podem melhorar significativamente o desempenho percebido. Porém, os quadros gerados artificialmente não são equivalentes a quadros renderizados normalmente, especialmente em relação à latência dos comandos.

Também encontramos registros comunitários de Cyberpunk 2077 ultrapassando os 100 FPS no Ultra com FSR 3.1.

Ou seja, a afirmação de Gabriel é plausível diante dos resultados alcançados por outros entusiastas, embora não tenhamos uma medição independente da máquina dele para confirmar as condições exatas.

Quanto ao Atomic Heart, o relato também é interessante, mas não encontramos uma medição suficientemente documentada da configuração específica de Gabriel para validar os mesmos 100 FPS.

O Linux é parte do segredo

Uma das características mais interessantes do projeto é a utilização do Linux.

A AMD BC-250 não foi criada para funcionar como um computador Windows convencional. Por isso, comunidades de entusiastas desenvolveram soluções próprias, incluindo modificações no kernel, drivers Mesa e ferramentas para controlar frequências e unidades gráficas.

Projetos como o SkillFishOS demonstram até onde essa otimização pode chegar.

Em testes próprios, os responsáveis pelo sistema registraram pontuações próximas às de placas Radeon RX 6600 e RX 6600 XT em determinados benchmarks gráficos.

Isso não significa que a BC-250 seja universalmente equivalente a essas GPUs. Seu processador Zen 2, a memória compartilhada e as particularidades dos drivers podem limitar bastante o desempenho em alguns jogos.

Ainda assim, os resultados deixam claro que existe uma quantidade considerável de desempenho escondida nesse hardware.

Vale a pena montar um PC gamer com a AMD BC-250?

Depende muito do seu perfil.

Para quem gosta de Linux, modificações de hardware, overclock e experimentação, a BC-250 pode ser um projeto extremamente divertido.

A placa reúne CPU, GPU e memória em um único equipamento, reduzindo a necessidade de comprar vários componentes separadamente.

Por outro lado, existem dificuldades que não devem ser ignoradas.

Refrigeração, compatibilidade de jogos, drivers, consumo energético e estabilidade são fatores importantes. Além disso, desbloquear unidades gráficas e aumentar frequências pode exigir modificações arriscadas, capazes de provocar superaquecimento ou danificar o equipamento.

Também é importante lembrar que os R$ 1.300 representam o custo relatado por Gabriel para sua montagem, não um preço garantido para reproduzir o projeto. Durante nossa pesquisa, encontramos placas similares custando aproximadamente R$ 1.700 no AliExpress, sem considerar impostos, além de projetos prontos anunciados no Mercado Livre por cerca de R$ 2.999. Esses valores mostram que reproduzir a montagem atualmente pode exigir um investimento significativamente maior.

Quem procura simplesmente um computador para ligar e jogar provavelmente estará mais confortável com componentes convencionais.

A criatividade brasileira continua surpreendendo

Talvez o aspecto mais interessante dessa história não seja a quantidade de FPS, mas perceber que um equipamento originalmente destinado à mineração de criptomoedas pode ganhar uma segunda vida graças à curiosidade e ao conhecimento de alguém disposto a explorar seus limites.

Gabriel Oliveira transformou uma plataforma pouco convencional em um computador funcional, estudando arquitetura de processadores, drivers, Linux, alimentação elétrica e refrigeração.

Quem quiser conhecer melhor o trabalho do brasileiro pode visitar seu site pessoal, script4.com.br, ou acompanhar seu perfil no Instagram, @scripttt4, onde também mantém um destaque dedicado ao projeto AMD BC-250.

Mais do que economizar dinheiro, seu projeto mostra que conhecimento técnico e criatividade podem ser tão importantes quanto investir em componentes caros.

E você? Teria coragem de montar um PC gamer usando uma placa de mineração?

Fontes e referências

Bruno Tavares

Especialista em WordPress & SEO

Sou fundador do GGames, que começou como um fórum de games criado por mim aos 15 anos e, com o tempo, se transformou também em um portal de notícias. Foi esse projeto que despertou minha paixão por tecnologia e me colocou no caminho do desenvolvimento web.

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