Novos detalhes sobre *Ryse: Son of Rome* surgiram a partir de um relatório da IGN, destacando um passado ambicioso do jogo da Crytek. Lançado junto com o Xbox One em 2013, o título tinha planos de se tornar uma grande franquia, sendo visto pela Microsoft como uma resposta à série *Assassin’s Creed* no universo Xbox.
Conteúdo Cortado e Ambições Gigantes
Um dos pontos mais surpreendentes revelados é que a versão final de *Ryse* apresenta apenas um terço do conteúdo inicialmente planejado. Com cerca de seis horas de campanha, o estúdio foi obrigado a cortar dois terços para cumprir o prazo de lançamento, enfrentando um intenso período de crunch. Apesar dos desafios, a equipe se mostrava otimista, acreditando que estavam construindo a base para algo maior.
Entre as ideias que ficaram de fora estavam novos cenários para sequências, como uma ambientação na era viking e outra no Japão feudal. Além disso, os desenvolvedores queriam substituir a linearidade do primeiro jogo por um design mais aberto, se inspirando em *God of War* (2018) para o level design.
Mecânicas e Expansões Planejadas
A equipe tinha planos para implementar mecânicas como navegação com veículos e um modo multiplayer PvP, que acabaram sendo cortados por falta de tempo. O combate também receberia uma profundidade maior, especialmente em momentos históricos, como a batalha contra a rebelião da rainha Boudica. O cenário idealizava que o jogador pudesse sair e entrar livremente das formações durante a luta, uma jogabilidade que ficou restrita a um simples botão de defesa e contra-ataque na versão final.
As táticas militares históricas, como o tiro parta e o kakuyoku, estavam nos planos para expansões futuras, assim como uma exploração mais profunda do mistério envolvendo os personagens Aquilo e Aestas, que eram revelados como deuses manipulando mortais. Essas adições teriam um toque especial ao misturar diferentes mitologias.
O Impasse e o Futuro de Ryse
Ainda que os planos fossem grandiosos, nenhum dos projetos futuros de *Ryse* saiu do papel. Os desenvolvedores afirmam que a franquia nunca foi oficialmente cancelada pela Microsoft. Curiosamente, quando a Crytek apresentou a proposta da franquia, a resposta da gigante foi que era “o pitch de IP mais coeso e bem pensado que já tinham visto”. Contudo, o problema surgiu após o lançamento do primeiro jogo: com desempenho abaixo das expectativas, tanto comercialmente quanto criticamente, o desenvolvimento de futuras sequências foi encerrado.
No presente, a situação se encontra estagnada. A Crytek não mostra intenção de vender a propriedade intelectual de *Ryse* para a Microsoft, que, por sua vez, também não está disposta a investir em uma franquia cuja licença não possui. Assim, novos títulos permanecem indefinidos, não por um veto oficial, mas por um impasse comercial entre as duas empresas. Mesmo sem alcançar o sucesso de outros lançamentos do Xbox One, *Ryse: Son of Rome* conquistou uma base de fãs leais, que ainda sonham com o que a franquia poderia ter se tornado.

