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Brasil muda regras para jogos em 2026

ECA Digital já está em vigor e novas propostas avançam no Congresso para ampliar a proteção de jogadores e evitar que games digitais deixem de funcionar após o encerramento de servidores.

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Novidades e Mudanças na Legislação sobre Jogos Eletrônicos no Brasil em 2026

O mercado de jogos eletrônicos no Brasil entrou em uma nova fase regulatória em 2026.

De um lado, o ECA Digital já está em vigor e estabelece novas obrigações para plataformas digitais acessadas por crianças e adolescentes, incluindo jogos eletrônicos.

Do outro, o Congresso discute o PL 3612/2026, conhecido como PL dos Games Vivos, que pretende ampliar a proteção dos consumidores quando jogos digitais dependem de servidores ou serviços online que podem ser encerrados pelas empresas.

As duas iniciativas tratam de assuntos diferentes, mas mostram como o setor de games passou a receber mais atenção da legislação brasileira.

ECA Digital já está em vigor

O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA Digital, entrou em vigor em 17 de março de 2026.

A legislação vale para produtos e serviços digitais direcionados a crianças e adolescentes ou que possam ser acessados por esse público.

Isso inclui redes sociais, aplicativos, plataformas de vídeo e também jogos eletrônicos.

Entre as novas obrigações estão medidas relacionadas à:

  • proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital;
  • supervisão parental;
  • mecanismos de aferição de idade;
  • prevenção de riscos;
  • publicidade direcionada ao público infantil;
  • tratamento de dados pessoais;
  • segurança no uso de plataformas.

A ideia é aumentar a responsabilidade das empresas sobre ambientes digitais utilizados por menores de idade.

O que muda para jogos eletrônicos?

Na prática, empresas que oferecem jogos ou serviços digitais acessíveis a crianças e adolescentes precisam considerar essas novas regras desde a concepção e durante o funcionamento de seus produtos.

Isso pode resultar em controles parentais mais claros, mecanismos de idade mais robustos e novas formas de limitar conteúdos ou recursos inadequados para menores.

A ANPD também passou a publicar orientações específicas sobre mecanismos confiáveis de aferição de idade no ambiente digital.

Para jogadores adultos, muitas dessas mudanças podem passar despercebidas.

Já para famílias com crianças e adolescentes, o impacto pode ser mais visível conforme plataformas adaptem seus sistemas.

E o PL dos Games Vivos?

Outro tema importante de 2026 é o Projeto de Lei 3612/2026, apresentado pela deputada Jandira Feghali.

O projeto trata da proteção de consumidores que compram jogos eletrônicos e da preservação de games digitais quando serviços essenciais ao funcionamento são descontinuados.

Em outras palavras, a discussão envolve um problema conhecido entre jogadores:

o que acontece quando uma empresa encerra os servidores e um jogo comprado simplesmente deixa de funcionar?

Esse debate ganhou força internacionalmente com movimentos como o Stop Killing Games.

O PL não trata de violência nos jogos

Esse ponto merece destaque porque pode gerar confusão.

O PL dos Games Vivos não tem como foco proibir violência em jogos ou censurar conteúdo.

A proposta está ligada principalmente à:

  • proteção do consumidor;
  • descontinuidade de servidores;
  • preservação de jogos digitais;
  • funcionamento de produtos comprados;
  • obrigações das empresas quando encerram serviços essenciais.

A própria ementa oficial do projeto fala em proteção dos consumidores, preservação do patrimônio cultural digital brasileiro e obrigações aos fornecedores em casos de descontinuidade.

O que pode mudar para os jogadores?

Se o projeto avançar e for aprovado, empresas podem passar a ter obrigações mais claras quando decidirem encerrar serviços que impedem o funcionamento de um jogo adquirido pelo consumidor.

Isso poderia aumentar a pressão para que desenvolvedoras e distribuidoras ofereçam alternativas, avisos prévios ou outras soluções quando servidores forem desligados.

Os detalhes ainda dependem da tramitação e do texto final que eventualmente seja aprovado.

Atualmente, o projeto segue em análise na Câmara e está pronto para pauta no Plenário, além de passar por outras comissões.

Essas mudanças não surgiram do zero.

Em 2024, o Brasil aprovou o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos, que estabeleceu diretrizes para desenvolvimento, produção, comercialização e uso de games no país.

Em 2026, o INPI inclusive passou a destacar a possibilidade de registro específico de jogos eletrônicos dentro dessa nova estrutura jurídica.

Ou seja, a legislação brasileira relacionada a games está ficando mais detalhada.

O que muda agora para quem joga?

No curto prazo, a mudança mais concreta é o ECA Digital, que já está valendo e afeta especialmente plataformas utilizadas por crianças e adolescentes.

O PL dos Games Vivos ainda é uma proposta e pode sofrer alterações antes de virar lei.

Mesmo assim, o avanço desses temas mostra uma mudança importante:

jogos eletrônicos deixaram de ser tratados apenas como entretenimento e passaram a receber regras específicas de proteção ao consumidor, segurança digital e preservação.

Para quem joga online, compra jogos digitais ou possui filhos que utilizam plataformas de games, vale acompanhar essas mudanças nos próximos meses.

Guilherme Simões

Advogado

Começou sua jornada no lendário PS2, empunhando a escopeta de Resident Evil 4 e, mais tarde, enfrentando os terrores e as profundezas sombrias de Dark Souls. Hoje, transforma paixão em palavra, assinando notícias e conteúdos do mundo gamer com a mesma intensidade de quem já atravessou o fogo e voltou.