Desafios do eSports Feminino: Descontinuação de Ligas e Equipes
A final da ESL Impact Season 7, o campeonato feminino de Counter-Strike (CS), ocorreu em maio de 2025, destacando-se como uma das principais competições do gênero, realizada no palco principal do IEM Dallas. A equipe Furia Fe fez história ao vencer, tornando-se a primeira equipe brasileira feminina campeã mundial de CS. No entanto, meses depois, a ESL decidiu encerrar a liga ao final de 2025, após a Season 8.
A indústria global de games movimentou mais de US$ 200 bilhões em 2025, sendo que aproximadamente 50% dos jogadores são mulheres. Contudo, as jogadoras representam apenas cerca de 5% no universo dos eSports. Um número notável é o de Valorant, onde o percentual feminino varia de 30% a 40% entre os jogadores. A situação não é positiva, já que, em 2026, a cena feminina de eSports registrou uma queda de 52% no número de torneios em comparação ao ano anterior.
Pandemia e Inclusão: Um Passado de Oportunidades
Lara “goddess” Baceiredo, ex-jogadora profissional e atual gerente de performance da Made in Brazil (MIBR), comenta que o cenário para as jogadoras estava começando a melhorar em 2017, embora o apoio de marcas fosse escasso. Entre 2019 e 2023, muitos investidores se interessaram pelo cenário feminino impulsionados pela pandemia e por questões sociais.
No entanto, esse panorama mudou efetivamente a partir de 2023. As marcas que antes se mostraram dispostas a investir no cenário feminino passaram a exigir comprovações de retorno sobre seus investimentos. Isso resultou em cancelamentos de torneios e na descontinuação de equipes. Exemplos incluem a saída da Loud do Valorant inclusivo e a desistência da Black Dragons de participar de cenários femininos. Algumas equipes, como MIBR e Team Liquid, se mantiveram ativas em algumas categorias, mas houve um êxodo significativo de outras.
O Que Aconteceu com os Patrocínios
As marcas precisam ver as equipes femininas como uma prioridade, e não como “projetos especiais”. O Game Changers, por exemplo, foi criado como um projeto paralelo ao Valorant Champions Tour e distribuiu prêmios totalizando US$ 500 mil para as equipes vencedoras. Este evento não somente oferece uma plataforma competitiva, mas também visa dar oportunidade às comunidades sub-representadas.
Empresas como Visa continuam investindo nesse espaço. A Visa patrocina o Team Liquid Visa, a equipe inclusiva de Valorant, e os resultados já começam a aparecer, como o título mundial em 2025. Mariana Dinis, da Visa Brasil, afirma que a presença em eSports é uma estratégia eficaz para engajar o público jovem.
Um Futuro a Construir
Ainda que o cenário atual seja desafiador, há perspectivas de mudança. As marcas que estão se mantendo no cenário feminino de eSports já entendem a importância de investir no desenvolvimento e na inclusão. Iniciativas bem-sucedidas, como as da Natura, demonstram que o envolvimento autêntico pode gerar resultados significativos em termos de visibilidade e retorno de imagem.
Roberta Coelho, ex-CEO do MIBR, ressalta a necessidade de um calendário competitivo mais robusto para o femino, e a importância de envolver também os homens nas discussões sobre inclusão no universo dos games. As jogadoras, que antes eram 5% da audiência da MIBR, agora representam 25%. A expectativa é que a crescente visibilidade das competições femininas, especialmente com eventos de grande escala como a Copa do Mundo Feminina, incentive mais investimentos e o fortalecimento do competitivo feminino.
O desafio permanece, mas a base para um futuro mais inclusivo e competitivo no eSports feminino já começou a ser traçada.

