O reconhecimento do gamer profissional como uma carreira está finalmente ganhando espaço fora do universo dos jogos. O que antes era visto como um hobby ou um sonho distante, agora é considerado uma opção de carreira legítima e cada vez mais respeitada.
A Nova Perspectiva dos Esports
Uma pesquisa global da Logitech G revela uma mudança significativa na percepção pública sobre os esports. O estudo, que entrevistou 18 mil adultos em 12 países, mostra que 51% dos participantes veem os esports como uma carreira profissional válida. Entre a Geração Z, esse número sobe para 67%, enquanto 60% dos Millennials compartilham dessa visão.
No Brasil, a aceitação é ainda mais elevada. Mais de 60% dos brasileiros acreditam que as carreiras em gaming se tornaram mais aspiracionais em comparação aos últimos 10 anos. Além disso, 58,20% dos Baby Boomers, 57,30% da Geração X e 66,67% dos Millennials concordam que o mercado dos jogos ganhou prestígio na última década.
Crescimento do Setor e Apoio Institucional
Leandro Rocha, gerente de produtos da Logitech G no Brasil, observa que essa mudança está atrelada à maturação do mercado de jogos nos últimos anos. Ele afirma: “O mercado de games cresce várias porcentagens todos os anos, tornando-se atraente para marcas de diversos setores”. Isso inclui marcas não endêmicas que estão cada vez mais investindo no cenário, dando visibilidade a organizações e eventos.
A pesquisa indica que a discussão em torno dos esports vai além do entretenimento. No Brasil, 82,73% dos entrevistados defendem a formalização de carreiras em jogos, e 61,67% afirmam que as escolas deveriam incluir aulas de esports, seguindo o exemplo dos esportes tradicionais.
A profissionalização nesse setor envolve educação, estrutura adequada, treinamento e visibilidade. Segundo Leandro, a Logitech G atua em várias frentes, apoiando iniciativas como o Projeto Educa e o AfroGames, que focam em fornecer suporte e educação para jovens talentos.
Desafios e Percepção Familia
Apesar do progresso, a pesquisa também revela um abismo entre a aceitação dos esports e o incentivo de familiares para que jovens considerem essa carreira. Apenas 4,60% dos brasileiros recomendariam uma trajetória na área de gaming, em contraste com 19,60% que sugeririam carreiras na saúde.
Esse apoio familiar é um fator crucial, e 44,73% dos entrevistados apontam a falta de incentivo como o principal obstáculo para quem deseja seguir essa carreira. Globalmente, 46% ainda veem o gaming como um simples hobby, o que complica ainda mais a situação.
Leandro menciona a importância de contar histórias reais de jogadores, como o caso de Dav1zera, um jovem de Counter-Strike com o apoio da família, e Blackoutz, um dos principais nomes de Fortnite, cuja trajetória ajudou a mudar a percepção familiar sobre o gaming como carreira.
O Futuro dos Esports
Em relação aos esportes tradicionais, 37% dos entrevistados globalmente acreditam que os esports deveriam ser incluídos como modalidade olímpica, número que chega a 49% entre a Geração Z. No Brasil, essa expectativa é ainda maior: 59,27% dos brasileiros desejam que os esports sejam parte dos Jogos Olímpicos.
Leandro acredita que a aproximação com eventos globais é uma evolução natural, enfatizando que a audiência dos esports só tem crescido. Para ele, a consolidação desse mercado ainda depende de uma melhor infraestrutura. As sugestões dos entrevistados incluem a inclusão dos esports em eventos globais, mais centros de treinamento profissional, e uma regulamentação mais clara.
Apesar dos desafios, o estudo da Logitech G mostra que a carreira de gamer profissional é vista como legítima por uma parte significativa da população, especialmente entre os mais jovens. Contudo, o caminho para o reconhecimento pleno ainda requer trabalho e superação de barreiras sociais e familiares.
Leandro finaliza destacando que o futuro do setor depende de um esforço conjunto entre marcas, imprensa e a própria comunidade, com o objetivo de reduzir as barreiras de entrada e mostrar que os jogos podem ser uma carreira viável para muitos.

