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Detonado Passo a passo: HomeFront

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Sobre a história (contém spoilers)

A história de Homefront foi escrita por John Milius, o escritor de filmes como Apocalipse Now, Red Dawn e Caçada ao Outubro Vermelho. Ela exige um pouco de conhecimento militar, de geografia e de história. Afinal, apesar de ser completamente fictícia, ela retrata locais reais, pessoas reais, e conflitos historicamente improváveis porém possíveis. Tentarei fornecer o máximo de informações que eu puder.

Vamos começar falando sobre a Coreia do Norte. Como todos devem saber, a Coreia do Norte é um país da Ásia Leste, que fica na parte superior da península coreana. Seu nome correto é República do Povo Democrático da Coreia. Era um império até a guerra entre russos e japoneses de 1910. Com o fim da Segunda Guerra, em 1945, parte foi habitada por soviéticos e parte por americanos. A Coreia do Norte se recusou a participar do conselho das Nações Unidas, e clamou independência dentro da península coreana. Iniciou-se uma guerra, em 1950, entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte. Um acordo de armistício foi feito em 1953, acabando com as mortes e os bombardeiros, mas os dois países oficialmente ainda estão em guerra, afinal, nenhum acordo de paz foi assinado de lá para cá. Os países apenas "se suportam", mas uma nova guerra pode estourar a qualquer momento. Mesmo assim, os dois países passaram a pertencer o Conselho das Nações Unidas em 1991.

O país é mantido por um partido chamado de Partido dos Trabalhadores Coreanos (Korean Workers' Party, ou KWP). Trata-se de uma forte frente comunista, chamada de ideologia Juche. Ela se baseia na força das massas enquanto desenvolvimento. Trata-se de um espírito de independência, que segue a doutrina de que a Coreia do Norte tem que sobreviver com seus próprios recursos. É baseado em uma ampla força militar aliada a uma organizada produção e uso de recursos naturais para consumo próprio. Tudo isso veio da mente do primeiro e único presidente que a Coreia do Norte já teve: Kim Il-Sung.
 
File:Kim Il Song Portrait-2.jpg

Kim Il-Sung foi primeiro ministro da Coreia do Norte de 1948 a 1972, quando se tornou o presidente. Foi presidente até a data de sua morte, em 1994, e ainda é considerado até hoje o primeiro e único presidente do país. Também era o líder máximo do partido KWP.

Após a morte de Kim Il-Sung, ele foi declarado presidente eterno da Coreia do Norte. Quem assumiu o poder foi seu filho, Kim Jong-Il.
 
File:Kim Jong-il on August 24, 2011.jpg

Pois bem. E aqui começa a história do jogo.

Quando Homefront foi concebido, Kim Jong-Il ainda era o presidente. O jogo montou uma cena hipotética em que, em 2012, Kim Jong-Il falece, e o presidente se torna seu filho, Kim Jong-Un. Apesar de jovem, o garoto de então 29 anos tentou fortalecer o país criando alianças até então imprevisíveis para a história do país. Foi um feito histórico, afinal, o país se autodeclarava auto-suficiente e sem alianças. Em 2013, Kim Jong-Un criou uma grande parceria com a Coreia do Sul, e unificou as Coreias em um único país, chamado de Greater Korean Republic, ou GKR.

Só um adendo: de fato, em dezembro de 2011, poucos meses após o lançamento de Homefront nas lojas americanas, o Kim Jong-Il realmente veio a falecer, e seu filho assumiu o comando do país. É como se Homefront tivesse prefaciado esse acontecimento histórico! Mas as previsões acabaram por aqui: todos os demais fatos, inclusive a união com a Coreia do Sul, continuam na ficção. Pelo menos até hoje.

Continuando com a história do jogo. Em 2015, aconteceu uma guerra entre o Irã e a Arábia Saudita, dois dos países com as maiores reservas de petróleo do mundo. A guerra fez com que essas reservas de petróleo se devastassem, devido aos correntes bombardeiros em petrolíferas e tal, e assim sendo o mundo inteiro entrou em um estado de caos. A carência global de petróleo gerou turbulências perigosas no mundo inteiro. Crises financeiras intermitentes fizeram com que muitos países chegassem à falência, e outros ficassem a perigo. Principalmente os Estados Unidos, a Europa e o Japão. Muito enfraquecido economicamente, o Japão se tornou um país muito vulnerável, e não demorou para que a Coreia Unificada declarasse guerra contra ele. Em 2017, finalmente o Japão sucumbe, e é militarmente dominado pela Coreia Unificada.

E o caos pelo mundo continua. Os Estados Unidos são os que mais sofrem com a crise econômica global, e logo começam a perder suas fontes de produção e se afundar em dívidas intermináveis. A produção militar e espacial cai drasticamente. Para piorar tudo, em 2022 um surto de um poderoso vírus de gripe asiático devasta milhões de habitantes americanos em uma grande epidemia. Enquanto isso, a Coreia Unificada começa a dominar, na base da força, diversos países do sudeste da Ásia, principalmente os países emergentes, como Camboja, Indonésia, Malásia, Timor Leste, Filipinas, Laos, Vietnã e Singapura. Tomando esses países, seu poderio militar multiplicou diversas vezes.

Em 2024, a Coreia Unificada lança um satélite na órbita da Terra. Mas, na verdade, o vulgo satélite possuía um plano muito mais intenso: trata-se de uma poderosa arma de destruição. Ela lança um dispositivo de proporções nucleares nos Estados Unidos, que já estava enfraquecido. Porém, ao invés de carregar ogivas de destruição física, a bomba era de EMP, ou seja, pulsos eletromagnéticos concentrados que destroem completamente os mecanismos eletrônicos, mas preserva o restante. Com boa parte de sua infraestrutura eletrônica destruída, os EUA ficam sem transporte, sem comunicação, sem informatização e sem a maioria de suas armas de longo alcance, ou seja: totalmente vulneráveis.

A Coreia Unificada inicia em 2024 um ataque massivo aos Estados Unidos. Usando veículos anfíbios, eles invadem a América pelo Havaí e pela Costa do Pacifico, e logo vão se expandindo. Em pouco tempo, o meio oeste e o oeste dos Estados Unidos estão totalmente sob controle do poderio militar coreano. E é nesse clima que o jogo começa.

O protagonista do jogo é Robert Jacobs.
 
RJ.jpg

Robert Jacobs era um piloto de helicópteros da Marinha. Forte e habilidoso em armas da mesma forma que no manejo de veículos, trata-se de um militar condecorado e sem medo da morte.

Em um belo dia do ano de 2027, ele foi preso dentro de sua residência em Montrose, Colorado, pelo exército coreano. Ele é levado para um campo militar de reeducação de prisioneiros no Alasca. Dentro do ônibus, ele observa diversos atos grotescos e cruéis cometidos pelo poderoso exército coreano. Porém, em um ataque muito bem calculado, o ônibus é virado por um caminhão e Jacobs é resgatado. A equipe de resgate de Jacobs consiste de outros dois importantes personagens.

Um deles é Connor Morgan:
 
Character connor.jpg

Morgan é um ex-soldado americano que, diante do atual estado dos EUA, se juntou à força de resistência americana que tem como intenção combater os coreanos dentro do país. Seu principal objetivo é conseguir recrutar novos soldados e angariar provimentos para a resistência. Por ser um ex-soldado, sua personalidade é forte, daqueles que fazem de tudo para cumprir a missão, a qualquer preço.

E essa é a Rianna:
 
Character rianna.jpg

Rianna era uma caçadora muito habilidosa, e se juntou à resistência americana para ceder suas habilidades com armas de fogo a favor de uma causa justa. Por ser civil e não uma soldado, ela apresenta uma característica mais amável, e sente muita tristeza pelos companheiros mortos. Ela não se encontra muito pronta para ver um companheiro de batalha morrer, e demonstra muita compaixão pelos amigos e ódio mortal pelos oponentes.

Assim, Robert Jacobs se une a eles em prol da resistência. A princípio, a ideia é que eles consigam juntar suprimentos e conseguir pequenas vantagens estratégicas a ponto de conseguirem rebater os ataques que vêm recebendo. O local escolhido para a resistência contra-atacar é São Francisco, e eles precisam direcionar todos os suprimentos, incluindo armas, munição, água e comida, para lá. Como Jacobs é piloto de helicóptero, seu conhecimento vem bem a calhar. Para conseguir os suprimentos, primeiramente eles precisam realizar uma série de saques a depósitos e armazéns dos coreanos.

Jacobs é levado, primeiramente, a uma fortaleza nos subúrbios do Colorado que se tornou um quartel secreto da resistência. Apelidado carinhosamente de "Oásis" pela resistência, o local é onde se encontram todos os soldados a serviço da resistência, e também simples civis refugiados, que, para não serem mortos ou presos, se escondem no local enquanto trabalham a favor da resistência. No Oásis, Jacobs conhece Boone Karlson.
 
Character boone.jpg

Sendo um ex-policial, Boone é corajoso e muito patriota. Ele é o líder máximo da resistência na região do Colorado, e é ele que coordena todas as operações na região. Líder nato e habilidoso, ele pode parecer brutal demais, mas é apenas seu estilo de comandar e liderar. Bruto e selvagem, ele arma emboscadas e estratégias com a mesma frieza com que estabelecia operações em seus tempos de policial.

Eles ainda conhecem novas pessoas, como Hopper Lee:
 
Character hopper.jpg

Hopper Lee é um especialista em automóveis e mecânica. Ele é descendente de norte-coreanos que sofreu muito preconceito no país, mas resolveu auxiliar os americanos na resistência. Um ex-corredor de racha, sua habilidade é volante é muito útil para transporte de materiais e principalmente de soldado. Além de dirigir, ele também é capaz de consertar os veículos danificados com muita rapidez. Sem contar que ele também sabe atirar, de modo a ser capaz de auxiliar em qualquer posição.

Jacobs e os demais soldados realizam alguns serviços, como assalto a carros-tanque de combustível, roubo de suprimentos de depósitos coreanos, entre outros. No entanto, essas operações custaram muito caro. Ao retornar para o Oásis, eles descobriram que todo o local havia sido destruído, os civis mortos, e até mesmo Boone estava morto. Foi uma perda e tanto. Para piorar ainda mais a situação, várias áreas civis de Montrose foram bombardeadas pelos coreanos como retaliação. Inconsoláveis, os sobreviventes decidiram partir para o ataque: eles destroem o muro de contenção nos limites da cidade e fogem de Montrose.

Eles vão para Utah, onde um grupo conhecido como sobreviventes mantêm sua base. Os sobreviventes são um grupo neutro, formado muito antes da invasão coreana. Eles são mercenários que se preparavam para o fim do mundo, de modo a criar um exército interno que não obedece a nenhum país em específico, apenas com intenção de crescer à custa de comércio ilegal de armas e veículos. Eles não estão do lado dos coreanos, mas também não estão do lado dos americanos. O líder deles é conhecido apenas como "O Capitão".

Boone tencionava comprar um helicóptero dos sobreviventes. Mas, com a morte dele, os sobreviventes ficaram com medo de que o negócio deles com os da resistência pudesse comprometer sua segurança e sua localização. Eles demandam que Rianna e Hopper sejam entregues em troca do helicóptero. Connor e Jacobs são contra, e então começa um pequeno embate entre os sobreviventes e a resistência. No final, eles conseguem fugir roubando o helicóptero.

Com o helicóptero, Jacobs leva os companheiros da resistência para São Francisco, onde uma intensa batalha contra os coreanos já começou. Recuados, os últimos membros da resistência acabaram se refugiando na famosíssima ponte de Golden Bridge, agora quase totalmente destruída. Eles lutam bravamente, contra um exército cada vez maior de coreanos, com mais armas, mais munição e mais veículos. Eles conseguem algum espaço, mas uma chuva de mísseis no local quase mata os últimos membros da resistência. Os caminhões de suprimentos ficam barrados na ponte, e Jacobs quase morre na queda, mas ele fica em alguns destroços na parte inferior da ponte. Pelos destroços, Jacobs sai exatamente do lado dos coreanos, pegando-os de surpresa e conseguindo usar algumas de suas armas contra eles próprios. Isso vira a sorte dos americanos a favor deles, quase dizimando a maioria dos coreanos.

Por fim, para a surpresa de todos (principalmente dos coreanos), a força aérea americana conseguiu chegar ao local, porém não conseguia encontrar a localização exata dos oponentes. Jacobs, em um ato de muita coragem, sinaliza a sua própria localização, já que ele estava no meio dos coreanos, usando um sinalizador. Os caças americanos entendem o sinal e disparam uma sequência de mísseis na parte da ponte em que Jacobs estava, destruindo de uma vez por todas o exército coreano em São Francisco. Jacobs ainda conseguiu sobreviver, milagrosamente, mas os coreanos não. Foi uma vitória pequena, mas significativa para os americanos. A guerra não acabou, os Estados Unidos ainda estão sob controle coreano, mas é exatamente nesse ponto que o jogo termina. Talvez, para deixar bem claro que haverá um novo jogo para contar como a guerra terminou. Por ora, a história termina aqui (sim, é decepcionante, eu sei).

E aí, curtiu a história de Homefront? Bacana, né? E bem diferente dos outros FPSs. Diga o que acha da história desse jogo nos comentários!
 
Sobre o jogo

Homefront nasceu de uma ideia interessante. Às vezes, quando uma produtora decide fazer um novo First-Person Shooter, a impressão que dá é que primeiro elas imaginam um modo de batalha qualquer, com alguma característica legal aqui e ali, ou uma jogabilidade diferente e tal, e só depois eles pensam em uma história para o jogo. Desse modo, a maioria dos games ficam com uma história genérica e idiota, ao melhor estilo "planeta A e planeta B estão brigando entre si, você é do planeta A e tem de dominar o planeta B". Mas Homefront é diferente. Ele não nasceu de um plano para a jogabilidade: a história veio primeiro de tudo. O jogo nasceu de um enredo, uma trama bem contada e profunda, e isso faz toda a diferença.
Esqueça os cenários de guerra, os mundos pós-apocalípticos ou batalhas nervosas contra monstrengos e seres intergaláticos usando armas futuristas. O que temos aqui e agora é real. Ou melhor, não é real, mas poderia até ser. Os Estados Unidos foram atacados e estão sob domínio de uma Coreia Unificada. Milhões de americanos são escravizados, forçados a trabalhar para os inimigos. Pertencemos a uma resistência, e temos de enfrentar nossos oponentes nas ruas, nos quintais das casas, em meio a mulheres e crianças, lutando para salvar civis indefesos dentro da própria pátria.
Sim, o sentimento de nacionalismo é gritante. Mesmo não sendo um americano nato, não tem como não sentir ódio perante as atrocidades que vemos no jogo: pais sendo assassinados diante de seus filhos, mulheres sendo estupradas, jovens sendo espancados até a morte por militares grotescos, bombas sendo arremessadas em zonas pacíficas civis apenas por retaliação, e muitos, mas muitos corpos, sendo deixados em pilhas de cadáveres a olho nu apenas para que todos saibam o que acontece com quem não segue as regras. Mesmo não sendo americano, o sentimento de amor à pátria e aos direitos humanos é universal.
Dentro desta perspectiva, o jogo fornece tudo aquilo que poderíamos esperar. Armas comuns, inimigos comuns. Uma luta de humanos contra humanos, mas não chega a ser uma guerra. Trata-se de uma pequena revolta, na proporção de umas 3 ou 4 pessoas contra todo um exército. Não é diferente de outros jogos por aí, mas o sentimento de inferioridade é gritante. Inferior em armas, em pessoas, em equipamentos, enfim,em quase tudo. Menos em esperança.
Homefront se joga como qualquer outro FPS. É possível fazer tudo aquilo que se poderia esperar: correr, pular, guardar armas de diferentes tipos (apenas duas, sendo de preferência uma de pequeno porte e uma de grande porte), lançar granadas, e por aí vai. Sua missão é sempre sobreviver a assaltos seguidos de inimigos. Fique em uma determinada área e mate todos os inimigos que aparecerem na sua frente. Serão hordas e hordas, vindo de diferentes cantos, e você deve tomar uma posição estratégica para conseguir fazer frente a todos eles. Depois que eles acabarem, geralmente algum NPC virá falar com você e lhe chamar para algum canto. Você avança alguns passos e pronto, terá de enfrentar mais uma horda de oponentes, e assim vai indefinidamente até fechar o jogo.
Quanto a isso, o jogo tenta ser o mais realista possível. Não há grandes confrontos, com oponentes super poderosos, ou mesmo batalhas contra chefes. O jogo faz com que você enfrente sempre os mesmos oponentes, os mesmos coreanos (às vezes um ou outro membro de outra gangue) seguidas vezes. Não há qualquer diferença no combate em si, e dificilmente os verá tomando outras estratégias ou coisas do tipo: só muda o cenário mesmo. Até as armas raramente mudam.
Para não dizer que o jogo é totalmente repetitivo, vez ou outra você recebe um objetivo que é diferente de simplesmente meter bala em todos que aparecerem. Você recebe objetivos mais variados, como destruir determinados postos, desligar equipamentos inimigos, encontrar coisas, plantar localizadores em caminhões inimigos, e por aí vai. Mas é bem pouco, e na maioria das vezes estará metendo pipoco. Tem partes também em que terá de ser stealth, e matar os oponentes com armas silenciosas sem ser percebido. Em outros momentos, terá de usar um sniper para abater oponentes à distância, auxiliando na invasão de um ponto estratégico.
Para deixar o jogo menos monótomo, também, entre uma localidade e outra geralmente tem uma espécie de mini-game, em que poderemos atirar ao comando de metralhadoras automáticas, ou usar helicópteros. Nós não podemos necessariamente pilotar os veículos, mas podemos disparar as suas armas (usando até mesmo mísseis, às vezes). Não chega a mudar muito o panorama do game, mas é uma bela adição, principalmente nas batalhas entre helicópteros. São alguns dos momentos mais interessantes do jogo.
As batalhas em si conseguem ser bem cruéis. Homefront é um jogo bom de se jogar e fácil de se morrer. Sim, a morte será uma constante. Não chega a ser absurdamente difícil como Resistance ou algumas fases de Killzone, por exemplo, mas é do tipo que vai exigir do jogador um pouco de estratégia em combate. Pegar sua metralhadora e sair por aí metralhando tudo e todos achando que vai durar muito tempo é bobagem. Seu personagem morre com poucos tiros, e, se for cercado ou pego de surpresa pelas costas, não há praticamente nada que possa impedir a sua morte. Deve-se pensar como um soldado, ou melhor, pensar como um animal recuado: avançando aos poucos, matando um por um e comemorando cada pedaço do terreno conquistado. Nesse ponto, ele lembra (bem de longe) bons clássicos como Black, mas chega a ser realmente irritante nas últimas fases do jogo. O tiroteio fica tão intenso nas últimas fases que dá raiva. Fica quase impossível se mover sem morrer, e o jeito é se agachar e esconder dos tiros enquanto se aproveita as oportunidades para se levantar.
Outra coisa que não muda é a inteligência artificial. Entra ano, sai ano, com raríssimas exceções, a inteligência artificial continua a mesma. Na maioria das vezes os inimigos estendem-se em campo aberto, imóveis como estandes de tiros. Alguns poucos deixam de ser alvos fáceis, apenas por alguns momentos, enquanto eles se escondem atrás de objetos para proteção própria. Mas eles carecem de instinto de sobrevivência ao permanecerem no mesmo local por bastante tempo, permitindo-lhes ser alvejados com facilidade. E, se você corre na direção deles, eles não tomam uma atitude diferente da que eles tomariam se você simplesmente ficasse parado. Enfim, inteligência artificial bem ruim, mas não é pior do que vários outros jogos do gênero. Os inimigos ainda conseguem ser mortais, porque o personagem principal morre com poucos tiros, mas ainda assim não é de se elogiar.
Se os inimigos não são bons, o que dizer então dos amigos? Dificilmente o personagem estará desacompanhado: na maioria das missões ele é acompanhado por parceiros. E esses parceiros seguem à risca a cartilha dos "amigos dos jogadores": não se intrometa. Como a ação principal tem que ser a do personagem, os amigos ficam apenas com o que resta. Eles não avançam a menos que você avance, não atiram a menos que você comece a atirar, e não acertam um tiro sequer a menos que você deixe apenas um para eles, e aí eles matam aquele único soldado inimigo que restou bradando: "boa, cara, conseguimos". Isso quando eles estão a fim, porque não será difícil encontrá-los atirando a esmo em lugar nenhum, gritando ordens e lhe xingando por não estar fazendo o seu serviço.
A campanha do jogo é bem curta, isso tem de ficar bem claro. São sete capítulos ao todo, que se passam no Colorado, em Utah e em São Francisco, e eles passarão bem rápido. Para compensar a campanha curta, Homefront possui um modo online multiplayer interessante. Não é o melhor disponível no mercado, de forma alguma, mas dá para se divertir nos modos Ground Control e Team Deathmatch. O modo online possui um sistema de grupos que é bem definido, sendo que vale mais a pena ajudar o time do que tentar ser o herói sozinho. Ou seja, o individual vale menos que o coletivo. Isso é bom, e, unido-se ao fato de haver avanço por níveis, muita customização do personagem, e a possibilidade de dirigir diversos veículos no modo online, ele passa a valer quase o mesmo do que o modo campanha. Tem bastante coisa para fazer no modo online, o que serve como um belo adendo, porém não substitui a escassez do modo single-player, no entanto.
 
Minha análise do jogo

Gráficos
Homefront não é necessariamente feio. Mas vivemos em uma época recheada de excelentes títulos na matéria gráfica: obras de arte que extrapolam e colocam tantos efeitos especiais e gráficos tão bem elaborados que criam um novo padrão. Um jogador mais exigente não vai gostar de ver os gráficos de Homefront, apesar de que um jogador mais casual também não vai encontrar tantas coisas ruins para comentar. Os gráficos funcionam bem, apenas não brilham, não apresentam nada impressionante. E quando se está em um gênero recheado de jogos primorosos na matéria gráfica, isso se torna um ponto negativo. Como se não fosse o bastante, o jogo ainda tem vários bugs que o deixam ainda mais desfocado. Por ser bem inferior a outros jogos lançados no mesmo período, torna-se inevitável afirmar que o empenho que a Kaos Studios teve com os gráficos foi mais do que considerável apenas.
● Nota pessoal: 3/5 (Empenho Considerável)
 
Som
Em matéria sonora, Homefront brilha bem mais. Enquanto a dublagem e os efeitos sonoros estão em bom nível, comparáveis a outros jogos do mesmo gênero, o destaque vai para algumas composições, que foram realmente muito bem concebidas. O compositor Matthew Harwood foi realmente muito eficiente em suas composições, que combinam perfeitamente com o estilo do jogo. Nada tão épico a ponto de entrar para as melhores músicas de FPSs de todos os tempos, mas ainda assim são músicas que não vemos em todos os jogos por aí. O sentimento de patriotismo e nacionalismo foi bem explorado em cada composição, e isso merece destaque por minha parte. Sem me repetir mais, empenho excelente da Kaos Studios nesse quesito.
● Nota pessoal: 4/5 (Empenho Excelente)
 
Jogabilidade
Homefront permite que você faça tudo aquilo que deveria permitir. Ou seja, você controla o personagem da mesma forma como o faz em qualquer outro shooter, com pequenas exceções. Como você morre muito depressa, é preciso se esconder bastante, e o jogo não possui um modo eficiente de cover. Na maioria das vezes, não tem como saber se está bem protegido ou não. Você se agacha atrás de uma caixa e fica lá, esperando a vida encher. E, do nada, percebe que está tomando mais e mais tiros. É como se as balas atravessassem os buracos, cantos e arestas das caixa, e não tem como saber qual lugar está seguro ou não. Incontáveis vezes eu morri por tomar o tiro de misericórdia quando achava que estava plenamente seguro atrás de alguma coisa, como um carro, e não estava. Fora detalhes como esse, o jogo não tem uma jogabilidade ruim. O sistema de mira semi-automática é eficiente e não deixa a desejar, e a velocidade de movimentação se encaixa bem com o personagem. Não temos a agilidade de um soldado de infantaria, mas também não temos a lerdeza de um civil com dor de barriga. Contando os prós e os contras, as qualidades ultrapassam os defeitos, e eu afirmo que a jogabilidade do jogo é considerável.
● Nota pessoal: 3/5 (Empenho Considerável)
 
Longevidade
Homefront é bem controverso no quesito longevidade. Todos nós sabemos que FPSs não são longos, e nunca foram. Como são jogos de muita ação, pouca variação e raciocínio rápido, eles enjoam facilmente. Sendo assim, as empresas costumam fazer campanhas curtas. E Homefront não foge à regra: sua campanha leva entre 5 e 6 horas para se conseguir fechar. Simples assim. É ruim, mas não é nenhum surpresa. Afinal, a cereja do bolo dos FPSs modernos é o modo multiplayer. E nisso Homefront não deixa a desejar: o jogo vem repleto de opções multiplayer, para atender a todos os gostos e expectativas. Isso diminui bastante o impacto deixado pelo desapontamento por ter uma campanha single-player tão básica e curta, é verdade... Mas também não podemos dar uma nota máxima apenas porque o jogo possui um bom multiplayer. É preciso salientar que faz sim falta um single-player maior e mais dedicado. A longevidade de um jogo não pode ser medida apenas por seu uso multiplayer (que é importante também), e sim levar em conta a experiência do jogo em todos os aspectos. Afinal, um jogador que não goste de jogar em modos multiplayer pouco terá do jogo em si para se satisfazer. Após fechar pela primeira vez, só lhe restará tentar novamente, jogando as mesmas poucas e curtas fases, quem sabe coletando os jornais escondidos nos cenários, que são os itens colecionáveis do game. É muito pouco para os padrões atuais. Se Homefront deixou e muito a desejar em seu modo single-player, o empenho da Kaos Studios com a longevidade foi considerável apenas.
● Nota pessoal: 3/5 (Empenho Considerável)
 
Inovação
É difícil identificar inovação em um shooter genérico. Sim, porque Homefront é genérico. Ele possui boas sacadas, como uma história profunda e muito bem escrita, um clima de tensão e um sentimento de patriotismo que são novas ideias, mas a inovação não passa daí. No restante, em tudo que se refere ao jogo em si, a Kaos Studios não bolou nada que fizesse Homefront se diferenciar de todos os outros FPSs do mercado. E tudo isso ainda parece muito pior quando se percebe que o estilo no qual o jogo foi concebido nem sequer é lá muito moderno: trata-se de um estilo antiquado, com uma jogabilidade antiquada para os padrões modernos de FPS. Empenho mediano apenas por parte da Kaos Studios.
● Nota pessoal: 2/5 (Empenho Mediano)
 
Diversão
Homefront tinha tudo para ser divertido. Ele até é divertido, mas ele tinha tudo para ser... Mais que isso. Veja bem, ele possui uma excelente história, e isso é o bastante para atrair uma margem considerável de jogadores, como um bom começo. A ação é rápida, e há poucos momentos no jogo em que não estará vendo uma cena interessante ou que tenha ação. O jogo tenta ser bem variado, de modo que sempre estará fazendo algo novo: pilotando helicópteros, invadindo bases secretas sem ser visto, usando snipers para pegar guardas desprevenidos, enfim. Não fica só no tiroteio frenético, e isso é bom. Mas tem algumas coisas ruins que atrapalham. O avanço no jogo é um pouco lento: você passa muito tempo nos mesmos lugares, enfrentando hordas quase intermináveis de inimigos que se sucedem. É cansativo, claro, e o modo como o personagem morre com facilidade deixa tudo ainda mais frustrante. Claro, há checkpoints bem posicionados a todo momento, mas, como eu disse, o avanço é tão lento que chega a dar raiva morrer para ter de voltar e ficar plantado no mesmo lugar matando os mesmos inimigos várias vezes até passar. Até porque a morte nem sempre é nossa culpa, e sim de algumas falhas internas do jogo. Mas passamos mais tempo no jogo nos divertindo (principalmente no modo multiplayer) do que reclamando de alguns defeitos do jogo, e isso é sempre um bom sinal. Empenho excelente.
● Nota pessoal: 4/5 (Empenho Excelente)

Soma Final: 19/30 (Bom)
 
Em resumo: Homefront alimentou muitas expectativas na mente de muitos gamers. O jogo prometia muito: e na maioria das coisas que ele prometia, ele cumpriu. O jogo é bom, é divertido, possui um enredo envolvente e muito bem desenvolvido, e um modo multiplayer interessante. Mas é um jogo suscetível a erros, e esses erros ocorrem aos poucos aqui e ali, e, quando se vê, eles contaminam o jogo inteiro. A qualidade do jogo como um todo sucumbe perante esses pequenos problemas, infelizmente. No fundo, por trás da boa história e da ousadia, Homefront acaba se mostrando mais um First-Person Shooter que lutou, lutou e morreu na praia

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